Ia um velho a caminhar pela rua
Olhar vazio, aura de tristeza
As costas curvadas por um fardo que apenas ele via e sentia
De andar arrastado e coxo
Figura triste e cansada
Como se não lhe sobrasse nada
"Diz-me, homem velho
Porquê esse ar de sofrimento?
Vivemos num Mundo belo
Quão terrível pode ser o teu tormento?"
O velho olhou para mim
Para lá de mim, através de mim
E disse-me da sua fortuna, do seu destino, da sua sina
Falou de oportunidades perdidas
Trabalhos inacabados, vida desperdiçada
Como se não lhe sobrasse nada
"Homem velho, não lutaste por essas coisas
Como pode tal ser?
Louco eras ou foste talvez
Foi um sonho que se desfez?"
E o velho voltou a falar-me
E a sua voz era a da morte
Da perda de todas as coisas, de quem não faz a sua sorte
Como se não me encontrasse lá
A mim se dirigiu então
Tocou-me no rosto, segurou-me a mão
"Jovem, não me vês pelo que sou
Não sou um homem
Vivo o que nenhum Deus me deu
Um futuro que será teu."
Fugi aos tropeções
Caí e esfolei-me
E olhei para trás para ver que o velho já não era, nunca foi
Mas eu poderia um dia vê-lo, sê-lo
E frente a um espelho me quedei
"Esse velho não serei."
Procurei um pensamento. Perdi-me por um momento, despessoei-me, cristalizei no tempo. Agora penso apenas: procuro um momento.
sábado, 9 de junho de 2012
sexta-feira, 8 de junho de 2012
O único testamento
Há certos tipos de posições e testemunhos que não são levados a sério até se encontrarem de tal forma expostos que o Mundo mais não pode fazer que acreditar neles.
Aquilo que expresso é tão verdade para mim agora como era há muitos anos atrás, quando ainda era jovem e tolo o suficiente para pouco compreender da vida, tendo apenas os mais básicos pilares que me suportassem: se há algo nesta vida pelo qual vale a pena viver, lutar e morrer, é o amor. De todas as experiências pelas quais se pode passar ao longo da vida, nenhuma me é mais valiosa que o amor, e não seria capaz de aceitar uma "vida" sem poder ter a minha alma gémea a meu lado.
A maioria das pessoas pode enganar-se com as suas posições indefinidas de não haver branco ou preto, tudo ser cinzento, mas eu recuso-me a uma posição tão cobarde. É falsa tolerância e falsa sapiência parar com a busca do conhecimento e da verdade, mas acabei por divagar um pouco... O que quero dizer é simplesmente que o amor ou é puro ou não é de todo, e morrerei antes de abdicar dele.
Se muitas vezes antes o disse, desta vez escrevo-o para que não sobrem dúvidas de tal. Viver incompleto não é viver, e nada deixarei para trás que considere de valor se não houver algo de valor para perder, sendo que apenas o amor coloco nesse patamar. Abdicarei de uma vida vazia como estou sempre disposto a abdicar de tudo aquilo que, não sendo prejudicial, não tem também valor significativo para se acrescentar à vida.
Quando morrer, muito poderá ser dito de como errei nesta vida, das minhas falhas e do que deixei por fazer, mas no que neste texto escrevi será sempre vista a verdade do princípio maior pelo qual decidi desde jovem reger a minha vida.
Aquilo que expresso é tão verdade para mim agora como era há muitos anos atrás, quando ainda era jovem e tolo o suficiente para pouco compreender da vida, tendo apenas os mais básicos pilares que me suportassem: se há algo nesta vida pelo qual vale a pena viver, lutar e morrer, é o amor. De todas as experiências pelas quais se pode passar ao longo da vida, nenhuma me é mais valiosa que o amor, e não seria capaz de aceitar uma "vida" sem poder ter a minha alma gémea a meu lado.
A maioria das pessoas pode enganar-se com as suas posições indefinidas de não haver branco ou preto, tudo ser cinzento, mas eu recuso-me a uma posição tão cobarde. É falsa tolerância e falsa sapiência parar com a busca do conhecimento e da verdade, mas acabei por divagar um pouco... O que quero dizer é simplesmente que o amor ou é puro ou não é de todo, e morrerei antes de abdicar dele.
Se muitas vezes antes o disse, desta vez escrevo-o para que não sobrem dúvidas de tal. Viver incompleto não é viver, e nada deixarei para trás que considere de valor se não houver algo de valor para perder, sendo que apenas o amor coloco nesse patamar. Abdicarei de uma vida vazia como estou sempre disposto a abdicar de tudo aquilo que, não sendo prejudicial, não tem também valor significativo para se acrescentar à vida.
Quando morrer, muito poderá ser dito de como errei nesta vida, das minhas falhas e do que deixei por fazer, mas no que neste texto escrevi será sempre vista a verdade do princípio maior pelo qual decidi desde jovem reger a minha vida.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Condenação/Absolvição
Palavras e actos de amor
Alma que sente apenas dor
Nada alcançou, além do fundo
Deseja somente um ser no Mundo
Amor e felicidade perdidos
Memórias de tempos idos
Lágrimas que o coração verte
Jazendo sob o peito, inerte
Confrontado com o frio
Agindo lesto e com brio
Um acto puro, alheio a sorte
Resultará em vida ou morte?
Alma que sente apenas dor
Nada alcançou, além do fundo
Deseja somente um ser no Mundo
Amor e felicidade perdidos
Memórias de tempos idos
Lágrimas que o coração verte
Jazendo sob o peito, inerte
Confrontado com o frio
Agindo lesto e com brio
Um acto puro, alheio a sorte
Resultará em vida ou morte?
terça-feira, 5 de junho de 2012
Yours in this life and the next
Nightmare awakes in the middle of the night
And I can't do more than cry
I was too weak, verily unable to fight
I ask why, why, oh why?!
Emptiness engulfs me, without my wife
And I feel as lacking breath
Seeking forgiveness, to you I serve my life
Or death, or death, or death
Yours in this life and the next
And I can't do more than cry
I was too weak, verily unable to fight
I ask why, why, oh why?!
Emptiness engulfs me, without my wife
And I feel as lacking breath
Seeking forgiveness, to you I serve my life
Or death, or death, or death
Yours in this life and the next
domingo, 3 de junho de 2012
Não há vida, não há alma, não há riso, não há nada
Roubado o meu coração, destruída a minha alma
Haverá resolução? Não posso perder a calma
Não basta pedir perdão
Tom suave, apologético
Não abdico da tua mão
Todo o falar é sintético
Céptico
Pirético
Eléctrico
Poético
Ascético
Teorético
Profético
Frenético
Tudo dito por puro amor
Mas não mais que palavras
Nelas só se encontra dor
Há que à acção dar asas
Sem o meu amor a meu lado, a mente desgovernada
Não há vida, não há alma, não há riso, não há nada
Haverá resolução? Não posso perder a calma
Não basta pedir perdão
Tom suave, apologético
Não abdico da tua mão
Todo o falar é sintético
Céptico
Pirético
Eléctrico
Poético
Ascético
Teorético
Profético
Frenético
Tudo dito por puro amor
Mas não mais que palavras
Nelas só se encontra dor
Há que à acção dar asas
Sem o meu amor a meu lado, a mente desgovernada
Não há vida, não há alma, não há riso, não há nada
sábado, 26 de maio de 2012
In(ter)dependência
Vivemos obcecados com a independência. Desde jovens, tentam incutir-nos essa necessidade de alcançar a nossa independência a todos os níveis, mostrando-nos como o Mundo é difícil e cruel quando não lutamos pelo nosso lugar nele. De facto, o Mundo é um lugar difícil e cruel, mas não por não conseguirmos alcançar a nossa independência, é-o porque estamos obcecados pela ideia de atingir um estado impossível. A independência é um estado impossível, pois nenhum indivíduo consegue sobreviver simplesmente pelos seus próprios meios. O estado de "auto-suficiência" não é aplicável a qualquer entidade, pois estamos sempre dependentes ou de outras entidades ou, simplesmente, do nosso meio envolvente.
Este fascínio ou obsessão pela independência, como se não fosse à partida uma ideia relativamente ridícula, é exacerbado pelas ideologias político-económicas capitalistas, com as suas tendências altamente competitivas e desreguladas, que fazem crer que a procura pelo nosso bem-estar ou felicidade apenas a nós nos afecta, quando tem necessariamente que afectar tudo à nossa volta. Para uns terem mais, outros terão que ter menos, e o equilíbrio elude-nos. Esta tendência (talvez) pouco natural para a competição é geralmente defendida pelas "evidências" do desenvolvimento e progresso, embora nunca tenha ouvido falar de um indivíduo que, singularmente, tenha feito seja o que for pelo Mundo pelos seus próprios meios. Isto pode ser visto de uma forma bastante simples: a independência económica, por exemplo, é impossível, pois embora uma pessoa possa ganhar o suficiente para se sustentar, é dependente dos ganhos que recebe do patronato e este dos frutos do seu trabalho (mesmo um indivíduo que trabalha por conta própria é dependente de fornecedores de todas as espécies, da mesma forma que estes dependem das suas necessidades).
O maior progresso e desenvolvimento que ocorre do Mundo não nasce da competição (embora possa aparentemente nascer de um espírito competitivo), mas de um contexto cooperativo, mesmo que as várias partes envolvidas ignorem as suas relações no processo. Deste modo, verifica-se que embora instintivamente possamos pensar que estamos pré-formatados para a competição (um egoísmo e egocentrismo primário), a verdade é que nada alcançamos sem cooperarmos de forma consciente ou inconsciente com outras entidades.
A independência é impossível, pois logo à partida todo o aspecto competitivo que suporta esse estado é impossível de sustentar. Ser independente é algo semelhante a competir com o Universo para alcançar um pequeno lugar só nosso em que somos o equivalente a Deus, e há alguma entidade (para além de Deus, certamente, haha) que tenha a força (física, emocional, espiritual, económica, política, seja o que for) para lutar contra o Universo? Obviamente, não. Vivemos num estado de interdependência que é praticamente imutável, sendo que o máximo que podemos alterar é a "amplitude" do nosso envolvimento. Quanto mais um indivíduo investe à sua volta, maior o desenvolvimento à sua volta, que por sua vez poderá investir mais nele. Se tentarmos investir puramente em nós mesmos, cedo descobrimos que não temos as forças necessárias para sustentar a multitude de aspectos das nossas vidas a que não conseguimos atender, porque estamos focados noutros aspectos.
Este fascínio ou obsessão pela independência, como se não fosse à partida uma ideia relativamente ridícula, é exacerbado pelas ideologias político-económicas capitalistas, com as suas tendências altamente competitivas e desreguladas, que fazem crer que a procura pelo nosso bem-estar ou felicidade apenas a nós nos afecta, quando tem necessariamente que afectar tudo à nossa volta. Para uns terem mais, outros terão que ter menos, e o equilíbrio elude-nos. Esta tendência (talvez) pouco natural para a competição é geralmente defendida pelas "evidências" do desenvolvimento e progresso, embora nunca tenha ouvido falar de um indivíduo que, singularmente, tenha feito seja o que for pelo Mundo pelos seus próprios meios. Isto pode ser visto de uma forma bastante simples: a independência económica, por exemplo, é impossível, pois embora uma pessoa possa ganhar o suficiente para se sustentar, é dependente dos ganhos que recebe do patronato e este dos frutos do seu trabalho (mesmo um indivíduo que trabalha por conta própria é dependente de fornecedores de todas as espécies, da mesma forma que estes dependem das suas necessidades).
O maior progresso e desenvolvimento que ocorre do Mundo não nasce da competição (embora possa aparentemente nascer de um espírito competitivo), mas de um contexto cooperativo, mesmo que as várias partes envolvidas ignorem as suas relações no processo. Deste modo, verifica-se que embora instintivamente possamos pensar que estamos pré-formatados para a competição (um egoísmo e egocentrismo primário), a verdade é que nada alcançamos sem cooperarmos de forma consciente ou inconsciente com outras entidades.
A independência é impossível, pois logo à partida todo o aspecto competitivo que suporta esse estado é impossível de sustentar. Ser independente é algo semelhante a competir com o Universo para alcançar um pequeno lugar só nosso em que somos o equivalente a Deus, e há alguma entidade (para além de Deus, certamente, haha) que tenha a força (física, emocional, espiritual, económica, política, seja o que for) para lutar contra o Universo? Obviamente, não. Vivemos num estado de interdependência que é praticamente imutável, sendo que o máximo que podemos alterar é a "amplitude" do nosso envolvimento. Quanto mais um indivíduo investe à sua volta, maior o desenvolvimento à sua volta, que por sua vez poderá investir mais nele. Se tentarmos investir puramente em nós mesmos, cedo descobrimos que não temos as forças necessárias para sustentar a multitude de aspectos das nossas vidas a que não conseguimos atender, porque estamos focados noutros aspectos.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Reencontrar-te-ei
Já tive tudo
Não o sabia, na altura... Ou talvez soubesse
Demasiada sorte para acreditar, é assim tão difícil de acreditar?
Tudo de bom, tudo de mau, mas tive tudo
Agora, perto do vazio, apercebo-me do que tive
Do que perdi
Do que talvez tenha perdido?
Não, do que perdi e devo reencontrar
Reencontrar-te-ei
Talvez louco seja por tudo desejar
Mas depois de tudo ter, por menos não me contento
E quem o faria?
É vero, ninguém o faria!
Como pôr em palavras
Tudo o que foi posto em acção?
Hmm, suponho que isso baste
Passei de palavras a acção
Reencontrar-te-ei
Não o sabia, na altura... Ou talvez soubesse
Demasiada sorte para acreditar, é assim tão difícil de acreditar?
Tudo de bom, tudo de mau, mas tive tudo
Agora, perto do vazio, apercebo-me do que tive
Do que perdi
Do que talvez tenha perdido?
Não, do que perdi e devo reencontrar
Reencontrar-te-ei
Talvez louco seja por tudo desejar
Mas depois de tudo ter, por menos não me contento
E quem o faria?
É vero, ninguém o faria!
Como pôr em palavras
Tudo o que foi posto em acção?
Hmm, suponho que isso baste
Passei de palavras a acção
Reencontrar-te-ei
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